Entre na luz...
Cansado de mais um dia,
em que nos deu o seu brilho,
agora, em sobranceria,
o sol segue o seu trilho.
E segue em desalento
depois de tanto calor,
tal e qual o meu tormento
de não te ver, meu Amor.
Muitas horas de degredo
que as estrelas acentuam.
É, distância, forte medo:
As certezas desaguam?
Meu caminho é desassombro
com a tua claridade,
sem a qual a vida é escombro,
ou reduto de cidade.
Não demores, meu amor,
a Deusa olha por ti
nem comentes, por favor,
os lamentos que senti.
Volta logo, sem demora
sob a luz do meu farol,
tão depressa como a hora
de mais um nascer do sol.
Na esperança, renovada,
de te ver, mulher, Maria,
suporto a madrugada
até ao romper do dia.
E como quem se agiganta
face ao sol que vai nascer
afino alm' e garganta
no desejo de te ver.
Por isso, o pôr-do-sol
será um mero detalhe,
ou incómodo anzol
a um amor que não falhe.

